O novo conservadorismo brasileiro (Marina Lacerda)

LACERDA, Marina Basso. O novo conservadorismo brasileiro: de Reagan a Bolsonaro. Porto Alegre: Zouk, 2019.

Publicado em 2019, Marina Lacerda nos oferece uma análise teórica-conceitual dos princípios e bases norteadoras do pensamento neoconservador. Expõe sua presença institucionalmente articulada no congresso nacional e suas bases sociais. 

O novo conservadorismo brasileiro seria uma reelaboração do neoconservadorismo dos EUA. A autora começa reconstruindo o percurso histórico e as referências intelectuais, os elementos conceituais e os agentes políticos do pensamento neoconservador estadunidense, antes de discutir a sua manifestação brasileira. A pesquisa foi desenvolvida através do monitoramento da atuação de parlamentares na câmara dos deputados (iniciado em 2015), analisando proposições, discursos, padrões de votação e a formação e atuação das bancadas. 

O pilar do novo conservadorismo é a ação de uma direita cristã – notadamente, mas não somente, evangélica – e que põe a noção de uma defesa da “família tradicional” como resposta a toda e qualquer disfunção social. Isso está posto nos debates sobre os direitos reprodutivos e da definição legal de família, mas também atravessa as escolas por meio das investidas contra o que eles chamam de “ideologia de gênero”. Além da defesa da família patriarcal, o novo conservadorismo brasileiro agrega um ideal punitivista que reforça a militarização da sociedade, o encarceramento em massa, o porte de armas e medidas como a redução da maioridade penal. 

No plano da agenda internacional ou da geopolítica, a ação neoconservadora mobiliza o anticomunismo, repaginado de “bolivarianismo”, assim como o sionismo e a defesa do Estado de Israel, posta como uma “aliança cristã” e da “tradição ocidental”. Por fim, outro ponto a se caracterizar, embora com menor intensidade que os demais de acordo com a autora, é a adoção do discurso neoliberal e da defesa de valores do mercado. Portanto, para Marina Lacerda o novo conservadorismo brasileiro é a combinação de todos esses elementos e possui militares, religiosos, ruralistas e empresários, inclusive em suas interseções e mobilizações suprapartidárias, como agentes políticos. 

O “novo conservadorismo” no Brasil passou a hegemonizar o discurso e prática da direita brasileira e tem como expressão culminante a chegada de Bolsonaro na presidência.

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